CACD: O CONCURSO

Realizado pelo Instituto Rio Branco (IRBr) em parceria com o Centro de Seleção e Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/UnB), o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata é promovido desde a década de 1940. Embora sofra pequenos ajustes periódicos, o formato do CACD estabilizou-se em uma fase com questões objetivas (chamada popularmente de TPS pelos candidatos), seguida de fases com questões dissertativas. Nos últimos dez anos, o concurso apresentou entre três e quatro fases – em 2017, foram três etapas, com alterações em relação ao ano anterior.

 

O formato do CACD é relativamente fixo, mas sofre pequenas alterações todos os anos. Há, contudo, uma estrutura recorrente. O concurso tem sempre uma fase com questões objetivas e uma fase ou mais com questões dissertativas, incluindo uma prova de redação. Nos últimos dez anos o CACD tem apresentado entre três e quatro fases. Em sua última edição o CACD foi realizado em três etapas:

 

Primeira Fase: É uma prova objetiva, elaborada pelo Cespe a partir de um banco de questões. Em 2017, foram 73 questões, com quatro assertivas cada, distribuídas em duas avaliações, uma de manhã e outra de tarde: a prova matutina contou com Português (dez questões), Política Internacional (doze), Geografia (seis) e Noções de Direito (seis); a prova vespertina, por sua vez, teve Inglês (nove), História do Brasil (onze), História Mundial (onze) e Noções de Economia (oito). Cada assertiva pode ser avaliada como “certa ou errada”: acertos rendem 0,25 pontos, enquanto erros subtraem o mesmo valor. Essa etapa, desde 2015, é apenas eliminatória. A pontuação total será usada para eliminar candidatos. Na última edição do CACD, apenas os 300 primeiros colocados na primeira fase foram convocados para a fase subsequente.

 

Essa etapa é eliminatória e classificatória. Vale lembrar que, nessa fase, respostas erradas são contadas como pontos negativos, ou seja, respostas erradas diminuem o total final de pontos obtidos pelos candidatos. A pontuação total dessa prova será usada tanto para eliminar candidatos quanto para classificá-los ao final do concurso. Na última edição do CACD, apenas os cem primeiros colocados na 1ª foram convocados para a fase subsequente.

 

Segunda Fase: Em 2017, a etapa consistiu em provas dissertativas de língua portuguesa e de língua inglesa, com cinco horas reservadas para cada. A prova de língua portuguesa consiste em uma redação de 600 a 650 palavras (conforme o tamanho da letra, algo entre duas e três páginas), sobre um tema determinado, além de dois exercícios com respostas entre 120 e 150 palavras. Na última edição, o tema da redação foi a tolerância, a partir de excerto com a posição do escritor português José Saramago, enquanto os exercícios tiveram como temas o dilema entre a luta por uma causa e a preservação de vidas, além do uso da diplomacia pública como instrumento de aproximação entre a chancelaria brasileira e a sociedade. Em provas anteriores, foram cobrados textos relacionados à Política Externa do Brasil e aos grandes temas do pensamento social brasileiro.

 

A prova de língua inglesa, por sua vez, integrou a terceira fase até 2016, mas foi deslocada para a segunda fase, o que demonstra a relevância dada ao idioma no concurso. Consiste em uma redação de 400 a 450 palavras, sobre tema determinado, além de duas traduções, de português para inglês e de inglês para português, e de um resumo de texto. Em 2017, novidade foi a exclusão do limite máximo de 200 palavras para o resumo.

 

É preciso atingir pontuação mínima (60 pontos em língua portuguesa e 50 pontos em língua inglesa) para que o candidato seja convocado para a próxima fase e a pontuação dessa prova também conta para a classificação final.

 

Terceira Fase: Trata-se da etapa mais longa do concurso. São provas dissertativas com quatro questões cada. Nela são cobradas as disciplinas Política Internacional, História do Brasil, Geografia, Noções de Direito e Noções de Economia. Ademais, na última edição do concurso essa fase também incluiu provas dissertativas de Francês e Espanhol, tradicionalmente cobradas em uma quarta fase, e que desde 2015 fora aplicada na forma objetiva. O Instituto Rio Branco costumava selecionar respostas de candidatos aprovados e compila-las no Guia de Estudos publicado no ano seguinte. Contudo, a medida foi descontinuada, embora os próprios candidatos aprovados tenham continuado a tradição, elaborando os chamados “guias zoológicos”, que contêm não apenas as melhores respostas, mas também as piores.

 

O aprovado no Concurso de Admissão do Instituto Rio Branco entrará para a carreira diplomática como Terceiro-Secretário. Os cargos seguintes na carreira são: Segundo-Secretário, Primeiro-Secretário, Conselheiro, Ministro de Segunda Classe e Ministro de Primeira Classe (Embaixador). Todos os diplomatas de carreira são servidores públicos. Têm, portanto, de ser aprovados no Concurso de Admissão, nomeados oficialmente, apresentar uma série de documentos exigidos por lei, submeter-se a exame psicotécnico e, por fim, tomar posse, em cerimônia solene que geralmente ocorre no palácio do Itamaraty em Brasília.

 

O treinamento durante a carreira é contínuo. O diplomata tem de ser capaz de bem representar o Brasil perante a comunidade de nações; de colher as informações necessárias à formulação de nossa política externa; de participar de reuniões internacionais e, nelas, negociar em nome do Brasil; de assistir, no exterior, às missões de setores do governo e da sociedade; proteger seus compatriotas; e de promover a cultura e os valores de nosso povo. Para tanto, a carreira tem início no Curso de Formação de Diplomatas do Instituto Rio Branco (IRBr). Ao longo da carreira, o diplomata retornará ao IRBr para novos cursos, como o Curso de Aperfeiçoamento de Diplomatas (CAD) e o Curso de Altos Estudos (CAE), além de outros cursos de atualização.

 

O Curso de Formação irá preparar e avaliar os novos ingressantes na carreira. O Curso “terá a duração de três ou quatro períodos semestrais consecutivos, os dois primeiros em regime de dedicação integral às atividades propostas pelo Instituto e os dois últimos dividindo-se entre estas e estágios profissionalizantes na Secretaria de Estado das Relações Exteriores (SERE) ou em Postos no exterior” (Art. 4ª Portaria MRE 190/2014).

 

Durante o Curso, você será preparado para tratar de uma série de temas relevantes para a agenda internacional do Brasil. Os jovens diplomatas estudarão temas que vão desde paz e segurança, normas de comércio e relações econômicas e financeiras até direitos humanos, meio ambiente, tráfico ilícito de drogas, fluxos migratórios, passando, naturalmente, por tudo o que diz respeito ao fortalecimento dos laços de amizade e cooperação do Brasil com seus múltiplos parceiros externos, tendo sempre como referência os interesses do país.

 

O Instituto Rio Branco (IRBr) é uma das mais respeitadas escolas de diplomacia do mundo. Foi criado em 18 de abril de 1945, como parte da comemoração do centenário do nascimento de José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira. Em março de 1946, estabeleceu-se o Curso de Preparação à Carreira de Diplomata do IRBr, cuja primeira turma foi composta de 27 Cônsules de Terceira Classe, como eram nomeados então os Terceiros-Secretários de hoje. É dessa data também a obrigatoriedade de concurso público para acesso à carreira. Os objetivos do IRBr sempre foram harmonizar os conhecimentos adquiridos nos cursos universitários com a formação para a carreira diplomática, desenvolver a compreensão dos elementos básicos da formulação e execução da política externa brasileira e preparar os alunos para as práticas e técnicas da carreira. O estudo para o CACD é apenas o início.

Informações úteis para o CACD:

CESPE/UNB

Instituto Rio Branco

MRE / Itamaraty

Blog Diplomacia Pública (MRE)